Um dos objetivos do Seminário era pensar e demonstrar um panorama da arte produzida pelas mulheres de ascendência indígena.
Uma das performances, em especial, nos chamou atenção. A “Woman and Water” de Tanya Lukin. Linklater, uma mulher nascida no Alasca e descendente da população nativa. Tanya levou seu filho, de aproximadamente seis meses, para o evento. Obviamente a criança se fazia presente constantemente com choros e risadas e acabou ilustrando muito expressivamente a cena exibida em DVD pela Kiwi: duas mulheres falam sobre a mulher e a ocupação do espaço público e são interrompidas o tempo todo pelo choro de uma criança e precisam abandonar a fala para cuidar da cria.
Localizando o contexto no qual se inscreveu a performace de Tanya, descrevo agora o trabalho apresentado.
Fomos todas para o pátio ao ar livre em frente o local do seminário. Tanya se posicionou embaixo de uma árvore e ao lado de uma fonte. Nós nos sentamos ao redor, na grama. A performance consistia em representar um tipo de ritual. A performer utilizava lençóis e fazia como que uma cama com vários deles. Depois colhia folhas e esmagava uvas produzindo um efeito de sangue. Por fim, se dirigia até a fonte e convidada as pessoas para entrarem na água, de roupa e sapatos: Tanya convidou 3 participantes e os 3 se disponibilizaram a entrar na água fria.
Consideramos, eu e Fernanda, esta performance como algo perigoso no que se refere ao reforço de um discurso que naturaliza a mulher. Que a coloca muito próxima a natureza produzindo uma “arte orgânica”.
Refletimos, sobretudo, na relevância deste tipo de trabalho em um seminário como este. O que significa trazermos para o espaço da universidade (e de uma universidade americana, havemos de manter isso em mente) um simulacro de um expressão indígena? E porque as pessoas se entregaram a experiência e gostaram tanto da performace? Fico cá pensando se este fascínio por um arte vista como “genuína”, como “verdadeira”, não diz mais de uma sociedade tão massificada/ urbana/ de hiperconsumo que busca experiências que aparenta trazer algo “real”/ legítimo e menos da produção indígena de fato.
Incomodou-me o fato de não localizarmos, as coordenadoras do seminário, criticamente nenhum dos trabalhos. Isso que aparente ser um respeito com as obras, para mim soa como uma certa infantilização. Algo do tipo “seu trabalho é uma gracinha, mas sem conseqüências”.
Enfim… opinião bem pessoal. Peço que as brasileiras relatem suas percepções também para que este relato se amplifique.
Por Daniele Ricieri





