CARNE: Paper apresentado pela Kiwi Companhia de Teatro em Los Angeles

Hi everyone.

It´s hard to express the importance of being here today, not only because of the conexions we’re beginning to stablish but also because of this feeling of taking part at this moment, capable of strengthen resistance against historical inequalities, violence, silence and ignorance. It’s important to say that we are here today fully supported by Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, a special Secretary focused on Women Issues, from Social Development Ministery of Brazilian Federal Government.

I´m Marcia Bechara, actress from Kiwi Theatre Company. I also work as a journalist and writer, and have just started a Master Degree process at University of São Paulo, specifically regarding the Performance as a tool to fight Gender Opression and Violence against women in Latin America.

I’m Fernada Azevedo, actress from Kiwi graduated with a Degree on Theatre at UniRio -Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – and on Theatre and Education at  FPA – Faculdade Paulista de Artes.

Kiwi Theatre Company was founded in 1996 and is now working on a new project approaching gender themes that also researches the conexions between patriarchalism and capitalism. Specially at the last year, our company has came closer to audiences outside theatre rooms and near the borders of the big cities. Our group went out to work with these artists of the borders and the ones deeply connected to urban movements like hip hop, and other marginalized artists, economically or socially. The name of our recent project is “Carne” (“Meat/Flesh”, in English). We will show 10 minutes of a video here, showing some moments of this work in progress.

But, before, it’s important to say that any analysis of Brazilian social parameters shows a very alarming scenario for Brazilian women: lower salaries than men at same functions; all kind of violence, from conjugal rape, rape itself,  to sexual harrassment at work, passing by sexual and passional crimes, sexist violence through publicity and media etc. Well, you know the picture.

With “Carne”  we want to discuss, through specific forms of art, the gender universe, specially highlighting material and simbolic forms of women opression. As you will see, the interpretation is deeply marked by a critical point of view, indicating the possibility of theatrical reflexion over non-dramatic materials, that come from social massive considerations and not only about psicological individualities.

Let’s see the video.

(VIDEO)

In Carne, more than a play we work with a script (partiture?) of actions. It’s much more a scenic piece than a literary text, bien fait.

The first scene brings reflexions from French historical researcher Michelle Perrot regarding women’s traditional role at public and private spaces and functions, along time. The second scene, called “Mirror”, or “Espelho”, in Portuguese, shows a demonstration of objects traditionally known as feminine. In the next scene, actresses says oficcial statistics of violence against women in Brazil. Next, Fernanda reads a very small piece of Austrian Nobel winner, Elfriede Jelinek. Then, the “Unbereable Bitch” Scene brings the performers exercising and, finally, a scene where the traditional machist Bible themes of guilt and redemption, so strong in our culture, appears with music, inside a critical view.

To end our presentation, I’m glad to call my partner, Fernanda Azevedo, that will say a pray from Maria Galindo and Mujeres Creando, directly from La Paz, Bolivia.

Thank you all, it has been a pleasure.

Oración a Nuestra Señora de los DeseosVirgen de los Deseos, amante de la vida,
hermana de los sueños e hija de la esperanza,
protégenos a todas nosotras
negras, morenas y blancas;
indias, putas y lesbianas;
y haz brotar desde la tierra las ilusiones necesarias
para que sigamos luchando.

Líbranos de racistas, homofóbicos, corruptos,
machistas y clasistas;
también de predicadores y curas hipócritas
para que nuestras hermanas pobres de rebeldía
vuelvan a soñar y en ellas se siembre la alegría.

Protégenos de los dioses que quieren imponernos
para que no nos priven de probar la tentación de
ser libres.

Haz que no falte el pan en nuestra casa,
que tampoco falte la miel que endulza nuestros días
y el vino que acopaña nuestras fiestas,
para que cada día celebremos por la vida,
por el amor, la ternura y las esperanzas.

No te olvides Virgen Nuestra
de todas nuestras hermanas, madres y abuelas
que yacen en tu vientre (la tierra),
para que con toda tu sabiduría
aprendamos a amarnos las unas a las otras
tanto como tú nos amas Virgen amante y amiga.

Haz que creamos en nosotras mismas
y que la desobediencia lata en los corazones de
todas las niñas
para que este deseo de ser felices se renueve cada día
en todas las que vienen y vendrán, por siempre…

Amén

http://mujerescreando.org/

(Por Márcia Bechara)

Are you feminist?

Las Patronas (medio decentes, medio putonas)

É assim que Jesusa Rodríguez e Liliana Felipe se descrevem no site do cabaré político no qual elas se apresentam no México: Las Patronas (medio decentes, medio putonas).

http://elhabito.dnsalias.com/

As artistas apresentaram no seminário o espetáculo “El Maíz”, que foi incluído na programação oficial do Los Angeles Theater Center (LATC), teatro que pretende ser um centro nos Estados Unidos da produção “chicana”.

maiz_crop

Jesusa após nossa apresentação se mostrou preocupada e interessada por nosso trabalho. Nos disse que há temos ela e Liliana haviam se dedicado a trabalhar com mulheres vítimas de violência, trabalho tão intenso que as obrigou a largar o cabaré político que mantém na Cidade do México. A preocupação de Jesusa era com as mulheres que assistiam a peça “Mulher a Vida Inteira”, ela nos questionava de como continuávamos os trabalhos com estas mulheres. “É muito sério isso, elas se sentem muito fragilizadas. Não podemos apresentar um espetáculo, mostrar para elas como a vida poderia ser diferente e depois ve-las voltar para casa, para o marido agressor. No México, fizemos parceria com advogados e muitas mulheres em nossa platéia contaram com nossa ajuda para se separarem”.

A ver.

Por Daniele Ricieri

LILIANA FELIPE

Grande musicista, parceira de Jesusa Rodríguez. Intérprete apaixonada e compositora irônica. Compõe lindas melodias que contradizem suas letras ácidas e críticas. Kurt Weill latina e muito mulher.

Abaixo, links para suas performances registradas no youtube.

Las histéricas

LAS HISTERICAS

Las histéricas somos lo máximo!
Extraviadas, voyeristas, seductoras, compulsivas
finas divas arrojadas al diván de Freud y de Lacan.

Ay! Segismundo, cuánta vanidad!
infantiloide y malsano el orgasmo clitoriano?
Ay! Segismundo, cuánta vaginalidad,
el orgasmo clitoriano se te escapa de la mano.
Ay! Segismundo de tan macho ya no encaja
no me digas que el placer es pura paja.

Por lo demás correspondo a tus teorías
estoy llena de manías, sueños, fobias y obsesiones,
sólo tu envidia del pene y el diván de tus eunucos
administra mis pulsiones compulsivas.

Cómo me duele este mundo, Segismundo
la parálisis, la envidia, la neurosis nos gobierna
como me duelen los pobres, como jode la miseria,
ora si que lo de menos es la histeria.

Ay! Segismundo, …

Las histéricas somos lo máximo!
Solidarias, fabulosas, planetarias, amorosas
super egos moderados, cunnilinguos para todas a placer…

Ay! Segismundo, cuánta vanidad!
Ay! Segismundo, cuánta vaginalidad,
Ay! Segismundo de tan macho ya no se
si poner punto final, o ponerle punto G.

PERO NO TE EXTRAÑO

Por Daniele Ricieri

FORTALEZA DE LA MUJER MAYA (FOMMA)

FOMMA é uma organização de mulheres de ascendência indígena em Chiapas, México, cuja missão é fortalecer a mulher maya. Para isso são propostos programas de alfabetização nas línguas nativas Tzotzil  e Tzeltal e no espanhol; oficinas de desenvolvimento de habilidades que podem se tornar produtivas; palestras sobre cuidados com a saúde e educação; creche e oficinas de teatro.

A FORTALEZA DE LA MUJER MAYA é dirigida por Petrona de la Cruz, indígena Tzotzil, e por Isabel Juárez Espinosa, do povo Tzeltal. As duas se tornam referencia internacional no que se refere a emancipação da mulher indígena. Utilizam o teatro como forma de expressão e comunicação, segundo elas porque na platéia estão muitas pessoas analfabetas e o teatro é capaz de superar esta fronteira. Antes de tornarem a si mesmas atrizes, dramaturgas e administradoras, trabalharam como empregada domestica, babá, bibliotecária e recepcionista.

O foco de sua dramaturgia é o direito das mulheres e das mulheres indígenas.

Abaixo, link para uma demonstração de trabalho no FOMMA

http://hemi.nyu.edu/por/seminar/2007/por/perf_fomma_por.html

Por Daniele Ricieri

Mulher a vida inteira – politizar a vida privada e poetizar a luta (paper ATUADORAS)

Somos um coletivo de mulheres (artistas e pensadoras) que se reuniu, no final de 2006, na cidade de São Paulo, para refletir artística e poeticamente sobre as questões de gênero com foco na condição feminina.
Criamos um espetáculo de teatro, mulher a vida inteira, com foco na violência contra a mulher, para ser apresentado exclusivamente para grupos femininos em seus espaços de organização. O texto da peça foi construído coletivamente pelas ATUADORAS, partindo da pergunta “o que é ser mulher?”. Depoimentos das atrizes e de outras mulheres por elas entrevistadas somaram-se a matérias de jornais, leitura de livros e discussões, formando uma dramaturgia que percorre a vida da mulher desde o nascimento até a velhice, tratando de assuntos variados, interpretados por quatro atrizes que dialogam com uma Dj.

Tivemos a oportunidade de dialogar com uma variedade muito grande de mulheres, em idades, condições sociais, níveis de estudo, etnias e profissões diferentes, sensibilizando esses públicos para o desejo de gozarem plenamente de seus direitos humanos.

Durante este seminário fizemos uma de nossas performances, o Cochicho, que consiste em dizermos delicadamente dados expressivos da violência contra a mulher ao pé do ouvido. Ao concebermos o espetáculo mulher a vida inteira o que nos movia era a verdade que este dados de violência contra a mulher atestam. Percebemos durante as entrevistas e depoimentos que colhemos no processo de criação do espetáculo que o que era horror nas estatísticas se transformava em realidade com sangue, dores, afetos, desejos, medos, submissões, resistências e, principalmente, solidão.

Uma vergonha escondida, uma dor não compartilhada, algo inominável que era vivido como particular, ou como natural. Como destino. Percebemos nos depoimentos a dificuldade de se compartilhar estas questões, a intimidade à qual fica destinada a vida da mulher. Eram falas sobre gravidez indesejada, precariedade dos direitos no trabalho, abuso físico e psicológico, desconhecimento e vergonha do próprio corpo sentido como inadequado, rivalidade com outras mulheres, abandonos, sonhos ditos impossíveis, a feminilidade vivida como uma sina. E também vozes de superação, de organização, emancipatórias e longe do discurso da vítima.
Transformamos estas histórias, e as nossas próprias, em texto teatral. Ao levarmos estas vidas para o palco, o que era vivido como particular ganha com as mulheres da platéia a esfera do público. A presença exclusiva de mulheres na equipe e na platéia garante um ambiente entre iguais, em um tempo de reconhecimento, de cumplicidade, gerando a percepção de que é possível construirmos algo juntas. E, principalmente, de que podemos e devemos nos responsabilizar pela nossa história.

Percebemos o quão produtiva foi a escolha de partirmos de uma pergunta, “o que é ser mulher?”, pois o questionamento, a desnaturalização e a incerteza foram estratégias férteis e criativas para pensarmos a nossa identidade. No espetáculo, pudemos discutir cenicamente a lógica que mantém e fixa as posições de legitimidade e ilegitimidade do ser mulher construído pela sociedade e por cada uma de nós: percebemos como são dialéticas, múltiplas e fluidas as construções da nossa identidade.

O teatro, neste caso, não promove uma mobilização coletiva, de agitação. E sim, propicia uma aproximação entre mulheres que vivem histórias semelhantes, que cotidianamente têm seus direitos humanos violados sem se darem conta, ou que reproduzem os valores da nossa sociedade machista e patriarcal. Mulher a vida inteira gera uma percepção e uma reflexão de que existe algo fora do lugar: que os valores como estão postos nos oprimem, nos machucam.

Nosso grupo, no ano de 2009, atuará em 2 frentes de trabalho. A primeira consiste na apresentação da peça para jovens da cidade de São de Paulo. Percebemos que as moças recebem a peça com grande alegria e se sentem estimuladas a pensar a própria trajetória de vida de um modo diferente de suas mães e avós.

Outro foco de trabalho são as mulheres presas. Certamente, as encarceradas são o nosso público mais diretamente vítima das violações de direitos humanos e com questões agravadas pelo fato de serem mulheres. A maioria das mulheres presas no Brasil está ali por tráfico de drogas e foi abandonada pelo companheiro, marido assim que passou para dentro das grades. Essa situação é oposta à dos homens encarcerados, que nunca deixam de receber visitas de suas companheiras (pelo contrário: é comum que alguns que entram solteiros na cadeia, saiam casados). Além disso, uma das maiores preocupações das mulheres presas é saber o paradeiro de seus filhos e filhas, pois não costumam ter advogados, a comunicação com suas famílias é precária e, assim, muitas passam meses sem saber quem está cuidando de suas crianças.

Pretendemos trabalhar oficinas de teatro com estes dois públicos partindo do espetáculo mulher a vida inteira como estímulo de criação e organização do depoimento pessoal de forma cênica.

Acreditamos que a prática teatral, com foco no compartilhamento de depoimentos, pode estimular na re-elaboração da identidade confiscada seja pelo cárcere, seja pela mídia, seja pelo mito do amor e, quem sabe, possibilitar a algumas mulheres a abertura de uma fenda na vida cotidiana e provocar a lembrança de que é necessário politizar a vida privada.

Sabemos que a luta das mulheres é uma batalha não contra os homens, mas contra uma forma de organização capitalista que garante a alguns homens a posse da terra, das mulheres e dos seus frutos. Que para darmos um basta na violência contra mulheres temos que lutar pela mudança e construção de um outro mundo. O teatro não tem as respostas, mas acredita na dúvida.

E como dizem as nossas companheiras bolivianas Mujeres Creando: a nossa vingança é ser feliz!

Los Angeles

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Queer Teory

O trabalho de Sue-Ellen Case, curadora do seminário, a grosso modo, consiste em aplicar a Queer Teory à performance feminista. Para Sue-Ellen a construção da identidade de gênero já é em si uma ação performática. Quando aprendemos como devem ser os gestos de uma mulher e de um homem, aprendemos a performace desempenhada coletivamente por estes gêneros. Por causa disso, desnaturalizamos o que é ser homem e mulher e podemos constatar que, por se tratar de uma construção cultural e histórica, podemos criar e propor novas partituras de comportamento. Além, é claro, de percebemos com tranqüilidade as pessoas, talvez a grande maioria, que mora justamente nas fronteiras deste esquema binário que é o gênero feminino e masculino.

Somos sujeitos sociais habitantes da fronteira.

Por Daniele Ricieri

Fulana

Na nossa mesa tivemos o prazer de conhecer o trabalho das Fulanas. Um grupo de ativistas latinas residentes nos Estados Unidos. Representando o grupo, a porto riquenha MARLÈNE RAMÍREZ-CANCIO. Recomendamos, com prazer, uma visita ao trabalho das quatro artistas. O site é o www.fulana.org

Fulana is a video collective in that emerged as the vision-fusion of four New York-based Latina artists joined by a love of video and performance, a critical gaze, a bilingual sense of humor and —most of all— a shared desire to create art within a collaborative onda. So we put our Spanglish brains together, drank some coffee, and founded Fulana in 2000. Through parody and satire, we explore themes that are relevant to Latino cultures in the U.S., delving into the nuances that bind our experiences, experimenting with strategies to make visible what we’re so often made to read between the lines. Our work, whose aesthetic ranges from cable-access kitsch to Telemundo tinsel, consists mainly of mock television commercials, music videos and print advertisements. Focusing on popular culture, we respond to the ways ideologies and identities are marketed to us, sold to us—and how we sell ourselves—through the mass media.

Por Daniele Ricieri

Madaglena Project

Conocermos, en lugar de suponer que ya nos conocemos